quinta-feira, 5 de março de 2015

a four letter word

*Esse texto fica muito mais bonito se for lido ao som dessa música.

Eu sempre tive medo, desde que me entendo por gente. Não consigo lembrar de uma única época da minha vida em que esse sentimento não existiu. Medo de altura, de escuro, de elevador, de atravessar a rua e, o pior de todos, medo de mim mesma. Eu não sou confiável. Nunca me permiti ter grandes sonhos, por que, afinal de contas, de que servem sonhos nas mãos de alguém que possui a habilidade de destruir qualquer coisa que toca? Por isso, decidi não mais sonhar. O medo me prendeu. Me prendeu a pessoas erradas, a caminhos tortuosos e, principalmente, a escolhas precipitadas que me levaram rumo a abismos. Abismos nos quais eu me perdi, abismos nos quais eu decidi ficar.

Medo, meu mais fiel companheiro. Até você aparecer.

Muitos dizem que devemos nos amar primeiro para que outras pessoas possam nos amar. E eu, que sempre achei que isso fosse verdade, havia aceitado que não havia uma saída para mim. Eu só sentia medo, não conhecia nenhum outro sentimento. Era só medo, medo, medo.

Mas então você abriu uma brecha, você deixou a luz entrar, um pouquinho mais a cada dia, e você me estendeu a mão. Não daquele jeito dominador, colocando todos os dedos para trabalhar de uma só vez. Não, com você as coisas sempre são diferentes. Você me estendeu um dedo de cada vez. E enquanto eu estava ali sendo resgatada do fundo do poço, você sorriu para mim, sorriu com todo o corpo, mas principalmente com os olhos. E você me disse que não tinha problema ter medo, e que eu podia confiar em você. Então eu te segui. E foi como seguir uma chuva de estrelas cadentes. Um pingo de cada vez. Uma palavra de cada vez. Um toque de cada vez.

Você foi paciente. Você esperou por mim. Esperou que eu te desse uma chance e eu, por mais estranho que possa parecer, te dei. Você aproveitou a oportunidade e enquanto eu te ofereci apenas um abraço, você me ofereceu "algo mais". Eu não sabia o que era, só sabia que era mais. Aquilo era maior do que o meu medo, maior que qualquer sensação que eu já havia sentido. Como aquilo conseguia caber dentro de mim? Era muito, mas era bom. Era quase confortável. Foi tanto, que não sobrou nada para alimentar o medo. O medo definhou, ficou só amor.

3 comentários:

  1. Não consigo ler e escutar algo ao mesmo tempo, tenho probleminhas, então estou ouvindo a música primeiro, aguarde uns 3 minutos e 22 segundos que já vou ler o texto.

    Ok. Aqui me segurando pra não chorar com a música. Li o seu texto ai que mais uma vez: MARAVILHOSO. Cara, somos mesmo parecidas, o medo domina cada segundo da minha vida, sofro de ansiedade, que nada mais é do que medo antecipado e tenho acompanhamento de psicóloga por causa disso. É incrível como esse medo/ansiedade pode prejudicar nosso corpo, fisicamente, isso ataca nosso organismo nos dando doenças e sintomas que podem nos deixar loucos :( é realmente muito chato e a luta contra isso é praticamente uma guerra, existe coisa pior do que lutar contra sua própria cabeça? Eu prefiro não recorrer a remédios, seria o caminho mais fácil, porém vicioso e eu tenho lutado constantemente. Ultimamente to legal, mas tenho medo do medo... você tem isso? Medo de sentir tudo de novo.

    Mas aí existem pessoas que realmente nos estendem a mão e dizem pra confiarmos, coisa que eu ODEIO. Confiar em pessoas é nosso pior erro, porém confio e tenho confiado em alguém que me ajuda todos os dias, que me mostra luz e que tem uma paciência de jó com meus surtos, minhas loucuras.

    Pois é. Somos parecidas mesmo.

    beijos . Tudo Tem Refrão

    Ps1: Adoro seus comentários longos.
    Ps2: Nasci em Portugal e vim para o Brasil com 7 anos, meus pais são brasileiros e estavam lá a trabalho. Mas morro de saudade.
    Ps3: Você está tão ansiosa quanto eu para The Royals? Porque se sim então somos realmente muuuuuuuito gêmeas.

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  2. Coisa mais linda esse texto. Me definiu tanto...

    Com certeza na lista dos medrosos e estou por lá, se não no topo, quase perto. Sofro com isso há muito e já desisti de muita coisa por causa do medo, inclusive da minha mudança no ano passado de cidade. O medo é uma coisa da croz, porque né...

    Essa nossa busca pela perfeição, de ter tudo nas nossas mãos acaba nos fazendo muito mal, nos afastando de pessoas e sonhos. Tudo seria mais fácil se tivéssemos um manual de instrução, mas, né, não tem nada disso.

    Eu acho que a melhor forma de lidar com os medos é tentando bater com eles de frente. Pode soar como clichê (e é), mas essa é ralidade. Enquanto não criarmos coragem para lutar, fazer aquilo que nos deixa apreensivos, não superarmos esse bendito sentimento.

    E sim, tem gente que nos ajuda muito a superar alguns medos. Não diria todos, porque daí já é querer demais. Ainda bem que tem gente que serve pelo menos pra isso. :D

    P.s.: Ao ler o texto, lembrei da música "Medo", da Pitty.

    "Só tememos por nós mesmos ou por aqueles que amamos. Homem que nada teme, é homem que nada ama."

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  3. Esse primeiro parágrafo... aiai

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