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sábado, 9 de janeiro de 2016

broken hearted girl

Choveu hoje. Lembrei de você. Veio aquela vontade de ficar na cama enrolada em você até você reclamar que seu braço já está doendo e que de qualquer forma você precisará aparecer no escritório. Me lembrei da vez em que você perdeu os óculos e reclamou da bagunça que eu fazia, só pra depois me carregar em seus braços e me levar para o banheiro. Lembrei também da vez em que você fingiu esquecer meu aniversário durante uma manhã inteira para no meio do dia me "sequestrar" e me levar em uma das viagens mais incríveis da minha vida. É, você era o cara... E o melhor de tudo é que você era o meu cara. Eu ainda guardo coisas. Coisas minhas, suas e nossas. O lado bom e o lado ruim, Porque, afinal de contas, é disso que somos feitos. E embora você não esteja mais aqui, tudo que é seu ficou, inclusive eu.

FELIZ ANO NOVO

terça-feira, 20 de outubro de 2015

maybe we'll find a brand new ending

Ela era dona de uma alma cheia de cor. 

Assim como o azul, sabia ser tranquila e se adaptar tanto aos períodos de tempestade quanto a calmaria inquietante. Assim como o vermelho, ela queimava por dentro e por fora e aquecia almas desgastadas com o calor do seu próprio corpo. Assim como o verde, era paciente o suficiente para compreender que cada rio tende a seguir seu próprio ritmo, e eu e você e ela e cada um de nós é um rio sem fim.

Ela era dona do coração mais puro que este mundo já teve a oportunidade de conhecer.

O problema é que esse mundo não está preparado para tantas cores. Esse é um mundo coberto de cinza, cinza do primeiro fio de cabelo até o dedinho do pé. Mesmo assim ela tentou. Deu o melhor de si, usou suas melhores cores para fazer deste mundo um lugar melhor. Embora não seja fácil mudar o que nem ao menos quer ser mudado, ela jamais perdeu a fé.

Imagine então o tamanho de sua surpresa ao notar que em algum momento, no meio do caminho, ao virar uma esquina (não lembro exatamente qual esquina, pois esse é um mundo cheio de esquinas) ela notou que a fé não mais caminhava ao seu lado. A fé havia dado meia volta e seguido outro rumo, outra direção. E o que aconteceu com a menina de mil e uma cores quer perdeu a fé?

terça-feira, 24 de março de 2015

starting from zero we've got nothing to lose

*Ou: algum dia eu voltarei a escrever sobre amores possíveis.

Eu não deveria me sentir assim. Supostamente eu não deveria sentir que uma parte de mim foi arrancada sem aviso prévio. Eu não deveria sentir que a qualquer momento o chão será retirado dos meus pés e uma longa e interminável queda terá inicio. Esse não era o plano. No fim das contas, apenas você cumpriu sua parte. Você interpretou o bom moço que não tinha a intenção de ferrar com a vida da garota e que apenas tentou causar o minimo possível de danos e incidentes ao mundo dela. E eu, bom, eu interpretei o papel da garota destinada a cometer os mesmos erros várias e várias vezes, sem nem ao menos se dar conta da merda em que se transformava sua vida. Um merda infinita. De qualquer forma, eu não deveria me sentir assim. Mas o problema é que a ferida ainda está aberta, e dói. Dói ainda mais quando se tenta seguir em frente. É como quando você machuca o joelho andando de bicicleta pela primeira vez e desiste de andar pelo resto da semana porque seu joelho esfolado é uma lembrança constante de que essa experiência pode dar muito errado no fim das contas. Eu sei que um dia o joelho vai sarar e eu vou lá no quintal tirar a poeira da bicicleta e me preparar para o sucesso ou para mais um fracasso. Só que esse momento não é o agora. O agora é o meu joelho esfolado, o agora é a constante lembrança do quanto eu sinto sua falta apesar de tudo. O agora é o "apesar de tudo". Apesar de tudo. Três palavrinhas. Apesar de tudo, tenho que me levantar amanhã e ir trabalhar. Apesar de tudo, tenho que comer pelo menos três refeições diárias. Apesar de tudo, o ônibus ainda demora pelos menos uma hora para chegar. E apesar de tudo, aquela bicicleta ainda está lá no quintal esperando por mim. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

why'd you have to wait to find me?

Um verdadeiro ato de bondade. Era tudo o que ele precisava encontrar. Não seria tão difícil, não é mesmo? Em um lugar povoado com bilhões de habitantes, seria como "tirar doce da boca de criança" (fazendo referência a uma expressão comumente utilizada entre eles). Finalmente ele teria seu desejo realizado. Asas... como será a sensação de finalmente possuí-las? Imaginou a liberdade. Poderia desbravar os quatro cantos da galáxia, poderia presenciar os momentos mais mágicos, sem falar na infinidades de contribuições que poderia trazer para seu trabalho. Era chegada a sua vez! Cumpriria sua missão e voltaria para casa, se assim poderia chamar o local em que normalmente passava suas horas, horas que para ele significavam apenas uma pequena fração da eternidade.

Pegou a mochila que carregava e a pequena folha na qual havia escritos os locais que visitaria para dar início a sua busca. Uma casa antiga e atrativa na qual se encontrava um aviso que dizia "todos são bem-vindos" chamou sua atenção e resolveu que tentaria ali encontrar um local para dormir e alimentar-se. "Mataria dois coelhos com uma só cajadada", pensou. Ele estava realmente começando a se habituar com os famosos ditos populares desse pessoal. Sorriu ao reparar que estava de bom humor.

Ao entrar na casa notou que havia ali pessoas muito bem vestidas ouvindo atentas o discurso de um velhinho simpático, que ao notar sua presença se calou. Os olhos da audiência acompanharam os do velhinho e julgamentos começaram a serem nascer em cada olhar. Ele se sentiu envergonhado, não soube por quê, afinal nunca havia sentido tal sentimento. Até que uma voz se levantou sobre as outras e declarou em alto e bom som que ali não era lugar para pessoas como ele. Ao olhar para si mesmo vestido em trajes simples, roupas puídas e manchadas, e com o corpo coberto por tatuagens, não entendeu a colocação daquela pessoa e perguntou se poderiam conseguir um local para que ele descansasse e comesse. O velhinho pediu que ele saísse imediatamente e que pensasse seriamente nas suas ações. Confuso, ele deixou a casa e saiu a caminhar e pensar em como um lugar no qual "todos são bem-vindos" poderia não tolerar sua presença.

Continuou a andar por horas e horas e tudo o que viu foram portas sendo batidas em sua cara. Uma jovem que passava lhe disse que são tempos difíceis e por isso ninguém em sã consciência concederia um teto para alguém como ele, afinal nunca se sabe. Novamente, ele não entendeu o que ela quis dizer. Estaria ele com dificuldades de compreensão do idioma ou tinha um pensamento demasiadamente inocente?

Após dois dias já começou a pensar em desistir. Asas não são grande coisa, não é mesmo? Muitos não as têm e se viram bem por aí. Sentou-se em um banco de praça e poe-se a refletir. Alertaram-lhe que não seria uma tarefa fácil, mas a fé dele era mesmo maior. Acreditou que encontraria traços do bem aqui deixado há milênios atrás em algum desses seres, mas os donos dos passos que caminhavam rápidos pela praça e dos olhares que nunca se cruzavam pareciam ter seus corações congelados. O que havia acontecido?

 De tanto pensar, adormeceu. 

Ao abrir os olhos deparou-se com um menininho que o observava bem de perto com metade de um pão na mão. O menino sorriu e perguntou-lhe se tinha fome. Sem ao menos esperar por um resposta, repartiu o pão e entregou-lhe metade. Seus olhos brilharam quando ele aceitou o pedaço oferecido e começou a comer. "Se quiser pode dormir melhor debaixo da minha árvore", disse o menininho. "Você tem uma árvore?", ele rebateu sorrindo. "Tenho. Tem um ótima sombra. Posso dividir com você", respondeu o menino. 

Ele não conseguia acreditar. Não era possível! Nem tudo estava perdido, no fim das contas. Ele havia encontrado uma faísca.
You Found Me by The Fray on Grooveshark

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

i’m not gonna try

Eu costumava me olhar no espelho e notar cada minimo defeito que eu tinha, fosse ele um arranhão de queda ou aquela boa e velha gordurinha localizada. Eu me olhava no espelho e só via erros, erros e mais erros. Por que eu não tinha um nariz menor? Por que eu não era mais magra? Por que eu não era mais baixa? Por que eu tinha que usar óculos? Se me perguntassem naquela época se eu gostaria de nascer de novo (no corpo da Gisele Bündchen talvez), eu não pensaria duas vezes e responderia "sim". 

Naquela época eu queria me encaixar, eu queria que os garotos me vissem, que minhas amigas me elogiassem, eu queria ser especial e ser especial significava ser perfeita de acordo com o padrão de perfeição que todo mundo acreditava ser o correto. Então eu comia cada vez menos, usava cada vez mais maquiagem e jamais saia de casa sem estar usando um calça apertada e de marca que me fazia sentir ainda mais magra.

Por fora eu era apenas uma adolescente magra e tímida, mas por dentro eu gritava. Quando eu chegava em casa e caia em lágrimas no sofá da sala mesmo, meus pais me perguntavam se eu estava bem e eu afirmava que sim, eu estava ótima, ou, pelo menos, eu iria ficar. Eu iria ficar ótima quando eu perdesse aqueles malditos cinco quilos. Eu iria ficar ótima quando ele finalmente caminhasse em minha direção e dissesse o quanto me achava especial. Eu iria ficar ótima quando meu cabelo parasse de querer voar em todas as direções assim que eu saísse de casa. Eu iria ficar ótima.

Eu costumava me olhar no espelho e notar cada minimo defeito que eu tinha. Tempo, tempo, tempo.... tempo que me fez enxergar cada qualidade maravilhosa que eu tinha, como eu te agradeço. Talvez eu realmente não seja a pessoa mais magra que você já conheceu, talvez eu não seja a mais doce das garotas, e talvez eu ame, adore, idolatre comida. Talvez eu realmente fuja do padrão, mas que saber de uma coisa? Hoje, feliz da vida, eu te digo: não quero mais me encaixar em um padrão. Eu quero ser o meu próprio padrão. Não quero ser magra, quero estar saudável e de bem comigo mesma. Quero gostar de mim por todas as qualidades interiores maravilhosas que eu tenho e  até pelos meus defeitos porque eles também são parte de mim. Se você ama com tudo de bom e de ruim que eu tenho, então você realmente merece que eu retribua esse amor. 

Então, eu te disse que iria ficar ótima, não foi? Só não imaginei que iria ficar incrível. Olha só o que o tempo fez comigo!