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sábado, 18 de abril de 2015

for you I’d leave it all

Ela deixou de ser tudo o que era para se tornar tudo o que ele precisava. Escondeu suas tatuagens, marcas da sua vida, marcas da sua história, para viver através da sombra de alguém. Ela apagou sua personalidade e se tornou apenas cinza da fogueira que um dia foi. Se ela apenas soubesse, se ela apenas soubesse que não precisava mudar nada para ser tudo o que eu mais amava. Tudo o que eu mais amava era só ela, ela e todos os defeitos, ela e sua obsessão por café da manhã. Entretanto ela optou por continuar a se rebaixar e a acatar cada desejo obscuro e pitoresco dele, enquanto eu simplesmente assistia a queda de um anjo. Um anjo que perdia suas asas cada vez que optava por se calar ao invés de se expor, um anjo que por ser apenas um ser humano estava condenado a ter a liberdade de escolher. A terrível liberdade de escolher. Tolos são os que pensam que escolher é pura dádiva. Não, escolher também é maldição para quem não sabe ou não aprendeu a lidar com as consequências de seus atos. É como aquela velha frase sobre o efeito que o bater das asas de uma borboleta pode ter em algo que está acontecendo nesse exato momento no Japão. Suas escolhas te afetam, suas escolhas me afetam. É uma grande responsabilidade, eu sei disso, mas você não sabia. Você deixou de viver e passou a ocasionalmente sobreviver. Passou a sobreviver de migalhas de atenção, quando havia alguém que teria te oferecido um banquete de amor. Oportunidades. Escolhas. Todos os erros que te trouxeram até aqui. O momento da ruptura. O momento em que o seu passado e o seu futuro colidem-se e quem você era se sobrepõe a tudo o que você poderia ser. Eu apenas... Apenas não gostaria de estar aqui presenciando o fim do maior sonho que já ousei sonhar.

terça-feira, 24 de março de 2015

starting from zero we've got nothing to lose

*Ou: algum dia eu voltarei a escrever sobre amores possíveis.

Eu não deveria me sentir assim. Supostamente eu não deveria sentir que uma parte de mim foi arrancada sem aviso prévio. Eu não deveria sentir que a qualquer momento o chão será retirado dos meus pés e uma longa e interminável queda terá inicio. Esse não era o plano. No fim das contas, apenas você cumpriu sua parte. Você interpretou o bom moço que não tinha a intenção de ferrar com a vida da garota e que apenas tentou causar o minimo possível de danos e incidentes ao mundo dela. E eu, bom, eu interpretei o papel da garota destinada a cometer os mesmos erros várias e várias vezes, sem nem ao menos se dar conta da merda em que se transformava sua vida. Um merda infinita. De qualquer forma, eu não deveria me sentir assim. Mas o problema é que a ferida ainda está aberta, e dói. Dói ainda mais quando se tenta seguir em frente. É como quando você machuca o joelho andando de bicicleta pela primeira vez e desiste de andar pelo resto da semana porque seu joelho esfolado é uma lembrança constante de que essa experiência pode dar muito errado no fim das contas. Eu sei que um dia o joelho vai sarar e eu vou lá no quintal tirar a poeira da bicicleta e me preparar para o sucesso ou para mais um fracasso. Só que esse momento não é o agora. O agora é o meu joelho esfolado, o agora é a constante lembrança do quanto eu sinto sua falta apesar de tudo. O agora é o "apesar de tudo". Apesar de tudo. Três palavrinhas. Apesar de tudo, tenho que me levantar amanhã e ir trabalhar. Apesar de tudo, tenho que comer pelo menos três refeições diárias. Apesar de tudo, o ônibus ainda demora pelos menos uma hora para chegar. E apesar de tudo, aquela bicicleta ainda está lá no quintal esperando por mim. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

what if I'm not what you think I am?

Eu vou fazer isso. Não só porque eles disseram que eu não conseguiria, mas também porque eu tenho dentro de mim essa fé inabalável que me faz seguir em frente mesmo quando o mundo inteiro está contra mim. Eu me preparei, me esforcei, dei o melhor de mim. Se lutei a boa batalha, vencer será apenas bônus, porque é como diz aquele velho ditado "o que vale mesmo é a jornada" e é por isso que irei aproveitá-la e você deveria fazer o mesmo. Arrisque-se. Aposte em coisas que ninguém nunca imaginou serem possíveis. Acredite em pessoas, em sonhos e em recomeços. Cada dia que nasce é sim uma página em branco, novinha em folha, esperando que você (ar)risque(-se), rabisque, apague e borre bastante para que no dia seguinte se possa recomeçar. Recomeçar: eita palavra bonita!

E se me permite, sem pedir nada em troca, lhe darei mais um conselho. Faço o bem, meu bem! Se a energia que você distribui pelo planeta retorna para você, então por quê não fazer o bem sem olhar a quem? Distribua amor em cada esquina, em cada lugar que você entrar. Seja o amor que você quer receber. Somente assim você não precisará encontrar felicidade em outro alguém porque a felicidade estará em você e o que vier depois é só lucro. Lucro de quem te encontrar, lucro de quem contigo quiser dividir a jornada, lucro de quem contigo quiser caminhar de mãos dadas sem exigir nada em troca. Afinal, esse outro alguém também será só amor e felicidade. Seja o máximo de você que puder ser.

Mas acima de tudo, seja paciente. Eu te disse que faria e farei. Quando e como não vem ao caso, porque saber esperar, saber planejar é arte de quem nasceu para viver. Se a paciência faz moradia em teu coração, não é qualquer tempestadezinha que vai derrubar teu barco. Quando se tem vontade, quando se quer algo de todo coração, a gente rema contra a maré, a gente faz chover em SP. Então vai a luta, não desiste não. E grita isso para aquela voz irritante que insiste em te dizer que você não é capaz. Diga para ela desistir porque ninguém derruba quem tem por meta tornar memorável o pouco (ou muito) tempo que lhe foi dado nessa linha tênue chamada vida.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

sobre o direito de chutar o pau da barraca e falar palavrão

Dias desses navegando pelo Facebook me deparei com um texto que a incrível Tove Lo, cantora sueca cujo talento merecia ser muito mais conhecido, divulgou. O texto em questão, postado no blog oficial da cantora, trazia um desabafo sincero, daqueles que pessoas normais (como eu e você) fazem quando se sentem incomodadas com algo. 

Com o título "Why Say FUCK?", o texto fala sobre a reação da cantora sueca após ouvir no rádio uma apresentadora falando que determinado trecho da canção "Talking Body", faixa escrita por Tove, causava nela certo desconforto e que provavelmente algum produtor deve ter forçado a cantora a se expor tanto assim. O trecho em questão é o seguinte: “if you love me right, we fuck for life” (tradução: se você me amar corretamente, vamos foder para sempre). 

De acordo com a apresentadora, o uso da palavra FUCK (foder/transar) era bastante inadequado e com toda certeza Tove Lo deveria estar sendo obrigada a escrever e apresentar letras desse tipo. Afinal de contas, por que uma mocinha escreveria coisas desse tipo, não é mesmo?

Tove resolveu expor sua opinião e em um texto sucinto, embora digno de aplauso *clap, clap*, falou sobre a forma como algumas vezes a mídia tende a "vilanizar" os produtores e como em outras vezes a própria sociedade tenta limitar ou descriminar os indivíduos e impedir que estes se expressem da forma que acharem mais apropriada, ou seja, fazendo uso de uma coisinha chamada liberdade de expressão.

O texto da cantora me fez pensar muito sobre como em diversas situações na vida nos controlamos afim de agir de determinada maneira só porque todos acreditam ser socialmente aceitável. Ao participar de determinadas rodas de conversas, por exemplo, muitas vezes nos sentimos coagidos a agir de determinada forma e controlar possíveis explosões, digamos assim. Falar sobre o último livro de Dostoiévski (que você odiou) ao invés daquele New Adult (que você amou), que provavelmente você seria rechaçada se começasse a discutir sobre, é outro exemplo de como a nossa tão desejada liberdade pode estar sendo controlada sem nem ao menso nos darmos conta. Ou até mesmo quando queremos gritar um grande e enorme "VÁ A MERDA", há muito tempo entalado na garganta, para alguém que já pisou e sapateou em você, mas nos contentamos em dizer "tudo bem" porque ser tão agressiva seria de mão gosto. Vale ressaltar que de forma alguma estou aqui defendendo a violência, mas sim o direito a liberdade.

Pensando com meus humildes botões fiquei me questionando: a apresentadora de rádio teria a mesma opinião se um homem cantasse tais letras? Talvez sim, talvez não.

Talvez a raiz do problema se encontre naquela conversa passada de geração a geração... Meninas não xingam. Meninas se comportam, enquanto homens arrotam alto e proferem palavras consideradas de baixo calão. Mulheres são silentes, e consequentemente possuem pensamentos silenciosos, enquanto o homem pode por direito expressar seus pensamentos e insatisfações de maneira alta e clara. Até a arte nos poda! Mulheres escrevendo/falando sobre sexo? Há muito tempo (e como você podem ver, algumas vezes até mesmo nos dias de hoje) já foi considerado fim de mundo. Fico imaginando como a pobre escritora que pela primeira vez pegou uma caneta e disse "quer saber? vou escrever o que penso sobre uma boa foda" foi recebida.

Bom, não sei se estou divagando ou se me farei entender, mas creio que o ponto principal aqui era, assim como a Tove, usar desse espaço para desabafar. Eu também possuo o direito de gritar, falar palavrão e escrever sobre foda, sexo e afins. Se quero falar sobre como aquela autora é fabulosa, e usar palavrões para elogiá-la, eu vou falar porque a voz me foi dada para que eu fizesse uso dela. Eu me expresso da forma que eu quiser, e falar palavrão ou usar roupas mais provocativas não faz de mim menos mulher, nem tão pouco uma marionete controlada por Fulano ou Cicrano que somente cede às pressões do mundo externo.

Tove se orgulha de escrever suas próprias canções e colocar nelas o que sente, sem se preocupar com o que está mais aceitável ou é considerado mais "feminino". Ela é apenas humana e possui uma voz que quer ser ouvida. Já pensou se tivéssemos mais Toves no mundo?

*O texto que inspirou essa postagem você pode ler aqui.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

rotaroots // das coisas que eu sempre quis dizer (mas nunca disse)

*Esta postagem é um dos temas do mês de janeiro da blogagem coletiva/meme do rotaroots, grupo criado para trazer de volta os bons tempos ~a era de ouro~ da blogosfera, incentivando assim a produção de conteúdos criativos e autorais.

Querido F.,

Sinto sua falta. 

Sei que essa é a pior coisa para se dizer (especialmente hoje), mas é a mais pura verdade e você pode confirmar isso pelo fato de que estou lhe escrevendo em um alto estágio de embriaguez. Como você sabe, após algumas doses a única coisa que sai de mim é a verdade. 

Você deve estar se perguntando porque estou te enviando uma carta logo após ter dito que era melhor nos afastarmos por um tempo, não é mesmo? Bom, acontece que eu queria me desculpar. Só que agora é tarde e nós dois sabemos disso. O tempo para desculpas já se foi. Mas irei aproveitar essa onda de sinceridade para deixar algo bastante claro aqui: a culpa é toda minha. Sim, toda minha.

Posso até imaginar você nesse exato momento balançando a cabeça e dizendo que ninguém tem culpa nessa história, mas sinto te informar que dessa vez eu tenho, sim. Eu sempre crio coisas em minha mente perturbada que não necessariamente são reais. Eu distorço cada palavra que as pessoas me dizem e transformo-as em algo bem maior e mais significativo do que de fato são. Você não teve culpa. Eu projetei em você todos os meus anseios e acreditei piamente que todo o sentimento que eu sentia era correspondido. Entretanto, como dizem por aí, nem sempre a reciproca é verdadeira. 

Eu queria voltar a ser sua amiga. Conversar com você novamente, rir das suas piadas e te perturbar por causa da sua idade como se nada tivesse acontecido. Porém, isso não é mais possível. Sei que você provavelmente aceitaria minha amizade, porque você é uma das melhores pessoas que já conheci, mas acontece que tenho essa vergonha gigante me consumindo depois do que aconteceu e acredito que jamais conseguiria trocar uma única palavra contigo sem imaginar o quanto você deve estar me achando ridícula. E esse pensamento provavelmente vai me corroer para sempre. Me arrisquei e perdi tudo. Essa foi a segunda vez. Nunca mais farei isso novamente, já aceitei que nessa área estou fadada ao fracasso.

Ninguém é obrigado a amar ninguém, sabe? Eu errei ao amar esperando ser amada de volta. O amor não deve ser assim. Temos que amar pelo simples ato de amar, sem esperar nada em troca. Então, mais uma vez te digo: a culpa não foi sua. 

Eu aprendi minha lição. 

Só espero que você seja feliz.

Com amor,

D.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

I remember it well

Bom, a primeira vez que eu te vi. Quando foi mesmo? Ah, sim. Primeiro dia, primeiro horário, sala de aula. Te vi sentada na última carteira fazendo algo que nenhum dos outros 37 alunos ali presentes estava fazendo: prestando atenção na aula. Realmente prestando atenção, sabe? Você tinha até aquela ruguinha na testa que você tem quando está concentrada. E você tinha aquele cabelo curto e bagunçado com essa franja que insistia em cair por cima dos seus óculos. Sim, você usava óculos e aparelhos e all stars. Sei que você não gosta de lembrar desse seu estilo, digamos assim mas eu me lembro. Afinal, como eu poderia esquecer? E como eu poderia resistir? Você estava tão fofa naquele dia. 

Eu sei, eu sei. Fofa não é exatamente um dos adjetivos que as garotas gostam de ouvir, mas fazer o que se foi a primeira coisa que veio em minha mente? Nunca fui bom com adjetivos. Para falar a verdade, nunca fui muito bom com as palavras. Esse, como todos nós sabemos, sempre foi o seu dom! Eu fazia contas, consertava coisas, contava piadas e gostava de cozinhar.

Então por me faltar palavras, ou por outras razões, sempre achei que você deveria ser transformada em um adjetivo, um que fosse sinônimo de perfeição ou algo assim. Como alguém poderia ser tão angelical e ao mesmo tempo ter essa chama incandescente no olhar que liquidava com a minha capacidade de falar. Eu, que sempre fui o "fanfarrão" da turma, travei completamente após te dizer o primeiro "oi". Mas não me culpe. Por favor, não me culpe! Foi você que estava com aquela caneta na boca e aquele perfume só seu, uma mistura perfeita entre algo doce e forte. Eu só queria ficar ali te olhando e sentindo aquele cheiro. 

Mas ai você balançou as mãos na minha frente e me perguntou se eu precisava de ajuda. Eu não sei, eu precisava? Eu havia esquecido completamente como funcionava todo esse lance de se comunicar, usar as palavras... transformá-las em frases então, nem pensar.

Quando finalmente me recompus, perguntei se você estava indo para Calculo II naquele momento e você confirmou, Logo perguntei se poderia levar suas coisas para você. Uma expressão estranha cobriu seu rosto. Parecia que você estava entre surpresa e ofendida, mas quando respondeu que sim, eu poderia carregar suas coisas, eu sabia que essa resposta iria mudar todo a minha semana, talvez até a minha vida, de alguma forma.

Conversamos sobre tudo e nada durante todo o caminho até a sala, entretanto quando chegamos você agradeceu a ajuda e sentou-se em sua carteira habitual. Resolvi me sentar em minha carteira habitual também, mas se antes eu já não prestava atenção em Calculo II, hoje o professor não estava conseguindo conquistar nenhum segundo da minha atenção. Eu fiquei te admirando durante 1 hora inteira. Viu o que você fez comigo?

É eu confesso, naquele semestre eu posso ter te perseguido um pouco, porque, convenhamos, você era bastante difícil, mas nunca me arrependi. Deu trabalho, mas conquistei sua amizade aos poucos e conquistei também algo extremamente valioso para mim e que até hoje eu luto para manter aquecido e forte todos os dias: o seu amor. 

(...)
Trecho dos votos de casamento escritos por P para C, em 2001.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

why'd you have to wait to find me?

Um verdadeiro ato de bondade. Era tudo o que ele precisava encontrar. Não seria tão difícil, não é mesmo? Em um lugar povoado com bilhões de habitantes, seria como "tirar doce da boca de criança" (fazendo referência a uma expressão comumente utilizada entre eles). Finalmente ele teria seu desejo realizado. Asas... como será a sensação de finalmente possuí-las? Imaginou a liberdade. Poderia desbravar os quatro cantos da galáxia, poderia presenciar os momentos mais mágicos, sem falar na infinidades de contribuições que poderia trazer para seu trabalho. Era chegada a sua vez! Cumpriria sua missão e voltaria para casa, se assim poderia chamar o local em que normalmente passava suas horas, horas que para ele significavam apenas uma pequena fração da eternidade.

Pegou a mochila que carregava e a pequena folha na qual havia escritos os locais que visitaria para dar início a sua busca. Uma casa antiga e atrativa na qual se encontrava um aviso que dizia "todos são bem-vindos" chamou sua atenção e resolveu que tentaria ali encontrar um local para dormir e alimentar-se. "Mataria dois coelhos com uma só cajadada", pensou. Ele estava realmente começando a se habituar com os famosos ditos populares desse pessoal. Sorriu ao reparar que estava de bom humor.

Ao entrar na casa notou que havia ali pessoas muito bem vestidas ouvindo atentas o discurso de um velhinho simpático, que ao notar sua presença se calou. Os olhos da audiência acompanharam os do velhinho e julgamentos começaram a serem nascer em cada olhar. Ele se sentiu envergonhado, não soube por quê, afinal nunca havia sentido tal sentimento. Até que uma voz se levantou sobre as outras e declarou em alto e bom som que ali não era lugar para pessoas como ele. Ao olhar para si mesmo vestido em trajes simples, roupas puídas e manchadas, e com o corpo coberto por tatuagens, não entendeu a colocação daquela pessoa e perguntou se poderiam conseguir um local para que ele descansasse e comesse. O velhinho pediu que ele saísse imediatamente e que pensasse seriamente nas suas ações. Confuso, ele deixou a casa e saiu a caminhar e pensar em como um lugar no qual "todos são bem-vindos" poderia não tolerar sua presença.

Continuou a andar por horas e horas e tudo o que viu foram portas sendo batidas em sua cara. Uma jovem que passava lhe disse que são tempos difíceis e por isso ninguém em sã consciência concederia um teto para alguém como ele, afinal nunca se sabe. Novamente, ele não entendeu o que ela quis dizer. Estaria ele com dificuldades de compreensão do idioma ou tinha um pensamento demasiadamente inocente?

Após dois dias já começou a pensar em desistir. Asas não são grande coisa, não é mesmo? Muitos não as têm e se viram bem por aí. Sentou-se em um banco de praça e poe-se a refletir. Alertaram-lhe que não seria uma tarefa fácil, mas a fé dele era mesmo maior. Acreditou que encontraria traços do bem aqui deixado há milênios atrás em algum desses seres, mas os donos dos passos que caminhavam rápidos pela praça e dos olhares que nunca se cruzavam pareciam ter seus corações congelados. O que havia acontecido?

 De tanto pensar, adormeceu. 

Ao abrir os olhos deparou-se com um menininho que o observava bem de perto com metade de um pão na mão. O menino sorriu e perguntou-lhe se tinha fome. Sem ao menos esperar por um resposta, repartiu o pão e entregou-lhe metade. Seus olhos brilharam quando ele aceitou o pedaço oferecido e começou a comer. "Se quiser pode dormir melhor debaixo da minha árvore", disse o menininho. "Você tem uma árvore?", ele rebateu sorrindo. "Tenho. Tem um ótima sombra. Posso dividir com você", respondeu o menino. 

Ele não conseguia acreditar. Não era possível! Nem tudo estava perdido, no fim das contas. Ele havia encontrado uma faísca.
You Found Me by The Fray on Grooveshark

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

some kind of sign

*Ou: confissões de uma formanda que não sabe se ri ou se chora com o final de sua primeira graduação.

Tanta coisa a ser feita e tão pouco tempo. Mal uma jornada termina e cá estou eu tomando novos rumos. Eu só não quero ficar parada, afinal o tempo não espera que eu tire umas férias de dois anos para somente depois seguir sua velocidade normal. Eu continuo envelhecendo, as pessoas continuam tocando suas vidas e se eu não viver a minha, quem viverá por mim?

Carrego em mim tantos sentimentos, muitos deles costumo espalhar pelos quatro cantos do mundo, já outros prefiro guardar comigo (às vezes por vergonha, às vezes por puro egoismo). Coleciono também lembranças, momentos únicos vividos com pessoas incríveis. Sinto saudades. Tenho sonhos. Tenho pressa. Apesar de saber que tudo acontece no tempo determinado, tenho medo. Será que minha hora vai chegar?

Entrego tudo em tuas mãos. Confio em ti, porque desde sempre me guiastes através dos melhores e piores caminhos. Você nunca me deixou na mão. Vou recomeçar, ou melhor dizendo, vou continuar. Farei agora o que faz bem ao meu coração. Nada foi em vão, tudo contribuiu com o meu crescimento. Sou tão maior agora. Tenho um mundo inteiro dentro de mim. Sou gigante e estou preparada. Estou muito assustada por estar tão certa da minha decisão, mas estou preparada. Como diria o grande Erasmo, pode vir quente que eu estou fervendo!